Em Natal na quarta-feira 07 de novembro, após a cerimônia de abertura do “Além das redes de colaboração, diversidade cultural e as tecnologias do poder”, realizaremos o debate “O que a educação tem a ver com a autonomia política e tecnológica?”.
A crise da medição do valor em uma sociedade do conhecimento coloca em xeque nosso sistema educacional. O aprendizado exige a exploração das redes de saberes e das malhas de produção de conhecimento. A mesa discutirá a Educação e sua relação com a tecnologia, bem como buscará equacionar o seu novo estatuto diante de uma sociedade de hiper-intermediação da comunicação e de novas exigências para a formação ética e para novas exigências da autonomia política.
- Debatedores : Imre Simon , Nelson Pretto , João Brant e Eduardo Janser
As breves linhas acima apresentam um dos grandes debates de nossa sociedade contemporânea. Qual será o real impacto das tecnologias digitais nos modelos pedagógicos nos quais se baseiam o nosso sistema educacional? Será necessário repensar os modelos de ensino para que se atualizem para um nova realidade de acesso a informação? Ou será que são as novas tecnologias que deverão se tornar ferramentas adequadas para que os sistemas educacionais possam preparar a população para os desafios deste novo século que se inicia?
Nas palavras do Prof. Nelson Pretto, debatedor e curador:
De uma maneira geral, a educação se apropria das tecnologias de informação e comunicação de forma a adaptá-las às condições da escola, sem compreender as dimensões estruturantes das mesmas. Necessitamos intensificar a apropriação das TIC enquanto elementos de cultura e não apenas como aparatos tecnológicos que ilustram ou facilitam os processos escolares. Esses equipamentos e todos os sistemas a eles associados, são constituidores de culturas e exatamente por isso, demandam olharmos a educação numa perspectiva plural, que demanda novos vetores de desenvolvimento. Ou seja, temos que afastar a idéia de que educação, cultura, ciência e tecnologia podem ser pensados enquanto mecanismos de transmissão de informações.
No artigo Educação e inovação tecnológica: um olhar sobre as políticas públicas brasileiras, o Prof. Nelson Pretto nos informa quanto a necessidade de se repensar a estrutura de nosso sistema educacional, neste contexto de profundas transformações pelas quais nossa sociedade vêm passando nos últimos anos.
[…]Obviamente quando pensamos no sistema educacional, a situação é absolutamente diversa. Esta distância entre o mundo da informática e da comunicação com o mundo da educação é muito grande, induzindo-nos a pensar na quase existência de um impasse. Tem sentido continuarmos investindo neste sistema que não consegue dar conta destas transformações? Está claro que necessitamos de muito mais do que simplesmente aperfeiçoar o sistema educacional. O momento exige a sua profunda transformação estrutural deste sistema. Uma transformação, que passa, necessariamente como venho expondo aqui, pela sua maior articulação com os sistemas de informação e comunicação.[…]
Outro debatedor da mesa, Eduardo Janser, professor do (CEFET-RN) e militante do movimento software livre, também mostra-se a favor de uma reestruturação do sistema educacional. Esta mudança se reflete no papel do professor, este educador terá que se adaptar a uma nova realidade, a uma nova compreensão do conceito de ensino e aprendizagem. Nas palavras dele:
É necessário revermos a infra-estrutura das nossas escolas e revermos a relação com os profissionais da educação. Guardião do saber, o livro impresso vai se dissolvendo pelo surgimento das páginas na Internet. Outrora fonte maior do conhecimento na sala de aula, o professor tem que se adaptar rapidamente e rever o seu papel, passando a ser um mediador do processo ensino-aprendizagem. A escola, antes pólo de referência para o desenvolvimento do conhecimento, vai se reinventando com a intensificação da educação a distância. As fontes de informação tradicionais (TV, jornais, revistas) convergem rapidamente para o novo meio tecnológico de difusão.
Então, diante de tão candentes constatações, além de muitas outras neste sentido, interessa perguntar: como será exercido o poder nesta nova situação? para que iremos educar? como iremos educar? quem iremos educar?
Este assunto de educação e novas tecnologias está alcançando um patamar de destaque no governo brasileiro. Notadamente o Ministério da Educação vêm realizando estudos e promovendo debates acerca da implantação de tecnologias digitais na educação escolar. Em exemplo destas iniciativas é o programa Um Computador por Aluno - UCA, cuja execução está a cargo dos ministérios da Educação; Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; e Ciência e Tecnologia. Também participam a Casa Civil, o Serpro e universidades.
O Projeto UCA é uma iniciativa do Governo Federal que visa distribuir a cada estudante da Rede Pública do Ensino Básico Brasileiro um laptop voltado à educação. A intenção do Programa é inovar os sistemas de ensino para melhorar a qualidade da educação no país. É preciso preparar desde já os alunos para serem agentes criativos. A constante troca de experiências e informações entre os próprios alunos e entre as crianças e suas comunidades poderá aproximar Escola e Comunidade, motivando os alunos a produzir conhecimento.
Texto retirado do site: http://www.lec.ufrgs.br/index.php/Projeto_UCA

Imagem retirada do sítio do MEC

Imagem do blog Pilotos do Projeto UCA
Para conhecer mais sobre o projeto UCA visite o Pilotos do Projeto UCA, blog para intercâmbio de informações entre os responsáveis pela elaboração, implantação, acompanhamento e avaliação dos pilotos do Projeto UCA.
Para se aprofundar nos debates sobre Educação, Política e Tecnologia, não esqueçam de assistir o debate da próxima quarta-feira em Natal, ou mesmo baixar o arquivo com a gravação do debate. Se der, ainda “dê um pulinho” no nosso canal de bate-papo para debater online esse e outros temas.