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TV Software Livre transmite o Seminário “Além das redes de colaboração, diversidade cultural e as tecnologias do poder”

Assistam o seminário ao vivo pela TV Software Livre!

Imagens da transmissão do terceiro dia de debates:

DJ Ricardo Brasileiro do Estúdio Livre

Mesa de debates

Público

Imagens da transmissão do segundo dia de debates:

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Debatedores, Debates

Fotos do segundo dia de debates

Algumas fotos do segundo dia de debates, da mesa “O que o anonimato na rede tem a ver com a democracia e com a biopolítica?”.

 

Mesa de debates
Mesa de debate

 

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Mesa de debate

 

Pedro Rezende
Pedro Rezende

 

Lena Zuniga
Lena Zúñiga (Costa Rica)

 

Mario Teza
Mario Teza

 

Marijane Lisboa
Marijane Lisboa

 

Debatedores, Debates

Primeira mesa de debates: Educação, Tecnologia e Autonomia

A primeira mesa de debates do ciclo de Natal do “Seminário Além das redes de colaboração, diversidade cultural e as tecnologias do poder” tratou dos temas educação, autonomia e tecnologia. O título do debate foi: “O que a educação tem a ver com a autonomia política e tecnológica?”. Os debatedores falaram nesta ordem: Imre Simon, Eduardo Janser, João Brant e Nelson Pretto. O mediador foi Adorilson Bezerra.

 

Imre Simon

Imre Simon, que em Porto Alegre nos apresentou suas idéias sobre o “Rossio Não Rival”, começou sua fala questionando os valores nos quais se baseiam o sistema educacional atual. Apresentou as idéias por trás dos sistemas de produção social como o software livre e a Wikipedia, sistemas sociais que são baseados em valores de colaboração e compartilhamento. Então ele questiona se a Educação pode ser feita como produção social, e lembra que a educação atualmente está envolta em contradições pois sua prática muitas vezes envolve processos mercadológicos mas, ao mesmo tempo, os valores principais da educação não são mercadológicos. Imre enfatiza que os modelos educacionais amplamente aplicados são baseados em hierarquias (professor x aluno) e em processos individuais de aprendizado: “Não é como a Wikipedia”.

Imre cita o trabalho do pesquisador americano Yochai Benkler, professor de Direito da Universidade de Yale, que criou o termo “commons-based peer production”. Como explica Imre Simon em sua página pessoal:

O “commons-based peer producion”, que não possui tradução fiel em português, é uma nova modalidade produtiva de riquezas, de efetividade altamente improvável a priori, que evoluiu com o advento da Internet. Exemplos notáveis da aplicação dela são o Software Livre e a Wikipedia.

Uma comunidade aberta e vagamente delimitada coopera, de forma essencialmente espontânea, descoordenada e voluntária para a produção de um bem informacional ou cultural que é compartilhado pela comunidade de forma neutra e transparente. Em particular, o novo método produtivo não se baseia nos mecanismos tradicionais de organização social do trabalho através de hierarquias, sinais de preços via mercados e relações de contrato e de propriedade.

O debatedor então apresenta seu maior questionamento: “Esse modelo commons-based peer producion poderia ser aplicado na educação?” “Faz sentido encaixar a educação nesses paradigmas?”

Segundo ele, para que a educação se utilize desse modelo de colaboração e compartilhamento, é necessário que a construção do conhecimento seja feita por um grupo de alunos sobre um “objeto problema”. Esse objeto deveria ser formado por pedaços (modularizável) de granularidade variável, gerando tarefas simples e complexas. Esses pedaços seriam então integráveis através da internet, em um meio integrador de fácil uso. Ele pergunta: “Como a educação poderia satisfazer esse requisitos?”

Imre nos apresenta a idéias de Shirk, que ele denominou “Lei de Shirk”. Nesta lei, os sistemas de produção são categorizados segundo 3 características: liberdade, diversidade e igualdade. Os sistemas de produção de conhecimento possuem apenas 2 destas características ao mesmo tempo. Ele exemplifica com a Wikipedia, que tem foco nos valores da liberdade e diversidade mas não possui a igualdade, pois há muitos verbetes que não estão completos ou formatados segundo um padrão. O mesmo pode ser dito do software livre. Para ele, a produção social convive bem com a desigualdade e é fortemente apoiada na diversidade e liberdade.

Ele explica que o sistema educacional só possui liberdade e diversidade em nível global: “Há muitas opções de escolha, há muitos cursos e áreas de estudo”. Mas depois que o aluno faz sua escolha, ele se torna limitado nas poucas opções que uma determinada instituição lhe oferece. O debatedor ainda complementa afirmando que o sistema educacional tem como valor principal a igualdade entre os alunos.

Imre novamente levanta uma questão importante: Seria possível realizar experimentos para estudar a aplicação desses modelos na educação?

O debatedor invoca os conceitos do livro “A Cauda Longa” que mostra que na era da internet a riqueza e a diversidade estão na cauda longa. Exemplo a Wikipedia, esta possui alguns artigos populares e muitos outros artigos das mais diversas temáticas. Segundo o pesquisador, o sistema educacional está se contentando em privilegiar os conteúdos mais conhecidos. Mas na internet é possível armazenar muitos livros em bibliotecas virtuais, muita informação torna-se disponível. Então há uma incompatibilidade, a educação clássica foi feita para evitar a cauda longa, ao mesmo tempo a produção social convive muito bem com a cauda longa.

Imre Simon conclui afirmando que o conceito de educação largamente utilizado não contempla a produção social, e que se a sociedade não mudar esse mecanismo, vai ser muito difícil contornar os problemas que virão no futuro. Ele diz que há uma incompatibilidade para transformar a educação em um processo de produção social. Segundo ele não é fácil conceber este novo modelo de educação sendo aplicado experimentalmente em larga escala, que talvez o programa UCA – Um Computador Por Aluno possa ser o embrião desses, mas que este projeto não está sendo pensado assim hoje.

 

Eduardo Janser

A experiência de Eduardo Janser como professor foi quase toda na rede federal CEFET. Há 130 estabelecimentos de ensino CEFET atualmente, com expectativa de expansão pelo governo federal.

Desde o início da história do ensino profissionalizante no Brasil, seu objetivo foi atender os trabalhadores através de cursos técnicos muitas vezes distantes dos conteúdos estudados no ensino básico.

Eduardo questiona: Qual a identidade dos cursos de tecnologia?

E ele explica que há um debate profundo entre a educação integral e aquela educação rápida voltada apenas para atender as demandas do mercado. Ele diz que em um momento do passado não muito distante conseguiram revogar uma lei que deteriorava ainda mais a estrutura dos cursos profissionalizantes. Há correntes que apoiam uma educação politécnica, mas os recursos para aplicá-la são escassos. O objetivo atual da rede CEFET é qualificar os cursos de tecnologia e reduzir o esvaziamento dos conteúdos educacionais gerais.

Segundo Eduardo, o software livre é a superação do modo de produção capitalista excludente. E a educação integral vai nesta mesma corrente ao possibilitar que os estudante tenham um melhor do entendimento da nossa sociedade.

 

João Brant

João Brant é co-autor do livro “Comunicação Digital e a construção dos commons”.

Ele começa sua participação falando que discursará sobre um embate de modelos, e dá o alerta de que a AMCHAM (Câmara Americana de Comércio doa EUA), iniciaram o Projeto Escola, que pretende combater a pirataria em escolas das redes públicas e particulares, a princípio no estado de São Paulo. Para ele a disputa está aí ocorrendo na prática, entre competição x colaboração. A internet viabiliza um terreno onde a colaboração e o compartilhamento podem florescer.

João Brant conceitua que informação e conhecimento são bens não rivais, a apropriação não tem custo pois são bens intangíveis que se tornam tangíveis quando vão para plataformas físicas como livros e CDs. Isso está gerando a crise dos downloads das redes p2p. Em suas palavras: “Hoje eles tentam te convencer que baixar musica de graça é como roubar da loja”.

João exemplifica:

Se há muitos tomates no mercado, então ele fica barato, mas se falta o preço sobe. O valor de troca se determina por uma lógica de escassez e abundância. Mas o mercado promove a lógica da escassez artificial através dos seguintes mecanismos:

  • direto de copia - se quiser a informação você compra, mas você não pode fazer cópias
  • acesso condicionado – bloqueios de acesso, quando vai ao cinema e precisa pagar, usar senhas na internet.
  • obsolescencia programada - um produto supera o outro. Comprou um jornal mas este só só vale por um dia.
  • valor de troca variável - algumas coisas têm outras não tem. Na TV aberta se vende os olhos dos espectadores aos anunciantes.

João explica que foram estabelecidos mecanismos para coisas que antes não possuíam valor de troca. Se de um lado há o aprisionamento e a competição do outro há a colaboração e o compartilhamento. A rede internet pode ser este local de troca e compartilhamento. Com relação a educação, ele diz que a lógica do sistema escolar é baseada na competição. A lógica de que é o professor que sabe e detem o conhecimento, uma hierarquia se impõe. Por isso há a necessidade de um espaço diferente para estabelecer uma outra relação não-hierárquica entre aluno e professor.

O software livre propõe ao usuário uma outra lógica de relação com os softwares, uma autonomia de utilização da tecnologia. Para os acostumados ao modelo Windows é difícil entender essa autonomia criada pelo processo colaborativo.

Segundo o debatedor, a escola não soube se relacionar com com a TV e o rádio, com os meios de comunicação em geral, esta parceria não se efetivou de forma produtiva. A criança passa mais horas na frente da TV do que na escola, e a juventude se apropria cada vez mais de espaços na internet. Então se a escola não deu conta dos meios tradicionais quanto mais das estruturas da internet. Este é um grande desafio para a escola. Se há espaços públicos como escolas, igrejas, parques, onde as idéias circulam, a mídia é um desses espaços também, e se nós não trabalharmos para ser autônomos em relação a mídia, acabará por vencer a lógica da competição.

A briga não está ganha na internet, há várias ameaças contra a lógica do compartilhamento e a colaboração .

 

Nelson Pretto

Nelson diz: “Tenho insistido nesse tema da educação e das possibilidades tecnológicas”. As idéias do debatedor apontam para a superação da educação 2.0 que em porto alegre ele sugeriu que fosse criada. Mas na realidade do sistema educacional, estamos na versão beta da educação, nem 1.0 nem 0.1.

Nelson Pretto fala sobre a apropriação do cyberespaço pela turma mais nova que já vai crescendo nesse pensamento. A meninada vai percebendo de que forma as linguagens são criadas e desenvolvidas . Para ele isto é uma mudança na lógica de espaço tempo que mexe em nosso cotidiano. Os adolescentes praticam o jeito “Alt+Tab” de ser, ou seja, abrem muitas janelas nos navegadores, e ao mesmo tempo que surfam na web, mantém conversas com várias pessoas.

 

NOTA DO EDITOR: Em virtude de problemas na transmissão do evento, continuarei o relato da fala de Nelson Pretto em breve.

 

 

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