Hoje foi a abertura do primero ciclo de debates do Seminário Além das Redes de Colaboração: diversidade cultural e tecnlogias do poder, que contou com a presença do Coordenador-geral da ASL, Sady Jaques, que também mediou o bate papo entre os palestrantes e o público.

Logo no início, um foi exibido umvídeo da Prof./Doutura Léa Fagundes que não pode comparecer ao debate presencial. Estando no momento em Montevidéo, onde, junto com outros pesquisadores, planejam e estudam outros modelos de testagem em crianças. Seu recado foi enfático: “A gente quer um modelo para que a Escola mude. A gente quer que a escola também mude sua ética, seus valores. Para que se inverta o padrão consumista, onde sempre se consome o novo jogo, o novo software, a nova versão. O software livre está ajudando a interromper esse ciclo de consumo de software para que se abra um espaço para que as pessoas possam se desenvolver.”

Sérgio Amadeu, curador do seminário, destacou qual será a temática do evento: “Se há alguma coisa de comum nesses 4 dias, é a decodificação sobre o que a nossa sociedade utiliza para passar suas mensagens e para interagir. Queremos juntar não só os academicos, mas também artistas e ativistas, e isso que tentamos fazer neste seminário.”

Na primera mesa entitulada:Politizando as Tecnologias: como as redes reconfiguram a sociedade, a educação e a cultura?, fizeram parte Imre Simon , Nelson Pretto , Alex Primo e Giba Assis Brasil.

 

Simon abriu as discussões um termo provocador: “O Rossio não rival”. Para explicar, separou as duas palavras. Segudo ele, Rossio é que também designamos de “commons”, uma palavra disponível em qualquer dicionário e significa algo como um terreno roçado e usufruido em comum. É um conceito europeu, pouco usado nas Américas. “Rossio seria então o antípoda da Propriedade Individual. Recursos “não rivais” seria então um termo geralmente usado por economistas. O uso do recurso não interfere com o uso do outro (muito pelo contrário) idéias, conhecimento, software, podem ser utilizados e construídos simultâneamente.

“A tecnologia realizou um Rossio não Rival e desbravou o seu uso através do Software Livre, pois seus repositórios estão disponíveis, acessívies e, com uma precisão absoluta e impreterível”, referindo-se as cópias digitias através das redes. Além disso, afirma que o “software livre hoje não é mais um tema mais de programadores de computador, ele ganhou o mundo acadêmico, como cientistas políticos, como Yohan Benckler que hoje escreve sobre o Rossio não-rival.” Ressalta a necessidade de construir uma nova linguagem valorizando o Rossio não-rival. Essencial para o nosso bem-estar-intelectual. “Acredito que esse debate tenha que passar pela academia. Mas precisa descer para a sociedade.”

Inri, que é professor do departamento de Ciência da Computação da USP, encontra-se em desenvolvimento vigoroso uma nova área da Matemática, chamada de “Matemática Tropical” baseada na mesma estrutura algébrica aboradada na sua tese de Livre-Docência.

Logo após, Alex Primo, que é professor do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Informação da UFRGS, abordou o “Trabalho imaterial em rede na pós-modernidade”. Alex elencou 3 fases do desenvolvimento tecnologico: A primeira seria a Indiferença (Idade Média): onde a mídia se estabeleceu na oralidade nos registros primitivos. O Conforto (modernidade): Controle etransformaçao da natureza, dessacralização e racionalismo, e a metáfora do relógio se traduziria na autoria em função de apropriação penal. A mídia é jornal, o rádio, a TV. Meios unilaterais, distribuitivos, massivos. É também um perído de Web moderna: HTML, ftp, portais, interação reativa. E a Ubiqüidade (pós-modernidade): ultrapassagem dos limites temporais e geográficos. A metáfora é a rede. A Web é pós-moderna: ajax, redes sociais on-lien, blogs, webjornalismo participativo, youtube, interação mútua.

Giba Assis Brasil, jornalista, roteirista e montador e um dos curadores-associados, iniciou sua palestra com a indagação: Quem inventou o cinema? Os Irmãos Lumiere ou Thomas Edison? Recuperando as questões históricas envolvidas, resgatou os motivos dos quais o modelo dos irmãos Lumiere prevalesceu sobre o de Edison. “Edison era genial, mas também dinheiristas, fazia suas invenções com a intenção de lucrar. Os Lumieres já nasceram ricos e tinham em relaçao as invenções uma intenção de descoberta, de desbravação.”, citou.

“O Edison, cricou Kinetoscópio, que funcionava se colocava uma moeda e tinha um buraco onde se colocava o olho e o filme era visto uma única vez por somente uma pessoa. Em dezembro de 1895, no Salao Indiano Grand Café. Os Lumiere apresentaram o Cinematógrafo, que permitia que diversas pessoas assistissem o mesmo filme conjuntamente. Logo depois do lançamento do Cinematógrafo o Kinetoscópio sumiu, pois não tinha mais sentido. Apesar de Edison ter registrado e patenteado sua máquina de cinema, o modelo aberto dos Lumière persistiu.”

Revisitando a história novamente, relembrou que Hollywood começou fugindo do direito autoral e dos direitos proprietários as patentes encasteladas nos trusts montados em cima dos modelos proprietários da tecnologia do cinema. Hoje, porém, são os que mais defendem os direitos autorais e de patentes que conquistaram.

Nesse sentido, indaga: “quem é faz o cinema: o produtor, o roteirista, o montador?”, e quem assiste: “o telespectador, o frequentador de cinema, o internatuta?”, lembrando que desde 2005 Hollywood ganha mais dinheiro com venda de DVD do que com bilheteria.

Assim, enfatiza: “é preciso pensar o qual será o novo cinema dentro das novas tecnologias que permitem diversas outras possibildades, através de celulares, câmeras portáteis, etc. Com certeza não há como equiparar com o cinema profissional, mas também é uma linguagem.”

Por último, Nelson Pretto, também um dos curadores associados, abordou a questão da educação nas novas tecnologias e nas novas redes de informação. Contrapondo a aprendizagem multifacetada das novas mídias e a velha forma da escola abordar a educação: “As escolas continuam insistindo em um modelo fordista de padronizações… A distância da escola do mundo da cultura e do mundo da ciência deixou que ela se tornasse uma escola boradcasting… e o aluno virou um receptor de informaçoes, ou um consumidor de informaçoes vindo de fora.“

Ressaltou que as novas tecnologias podem proporcionar um outro aparato e outro âmbito de interação e produção de saber, porém, temos há o desafio de democratizar esses meios: “Temos para os filhos das classes médias e ricas, banda larga e acesso 24h nas residências. Para famílias pobres, sobra somente políticas públicas de telecentros, ou ensino de informática voltada a softwares proprietários como Word e Excel, ou seja, um treinamento sobre ferramentas prontas.”

Para democratização dessas novas tecnolgias não há outro caminho, segundo Nelson, temos que tocar em temas importantes como o Fust e na ampliação da cobertura da banda larga, “temos que democratizar as novas tecnologia.”