Nesta terça-feira os debates do Seminário Além das Redes iniciaram com uma intervenção cultural do Grupo de Percussão do Ponto de Cultura Odomodê. Vinculado ao Instituto Cultural Afro-Sul de 34 anos de atuação em Porto Alegre e fora do país, reúne oficinas de percussão, dança e malabares.

Logo após, foi exibido o épico curta Ilha das Flores, já postado aqui neste blog. Além de tomates, porcos, seres-humanos, o curta fala de liberdade.

Participaram da mesa, Mario Teza, Pedro Rezende, Marijane Lisboa e Juan Zapata, mediados por Carlos Machado.

Iniciando o debate, Zapata, colombiando, cineasta e documentarista, professor na ULBRA, enfatizou que “existe uma ambiguidade muito grande para roteiros, filmes e principalmente para documentários”, por isso em seu novo projeto preferiu deixar os direitos livres para outros processos criativos.

Pedro Rezende destacou o papel do software na revolução que está acontecendo na sociedade, além de como estes artefatos se tornam instrumentos de poder e controle. Explicou a evolução do software no desenvolvimento da informática. No início, os códigos abertos de software puderam acompanhar os computadores de grande porte sem disputas, no início dos anos 80, iniciara-se um novo ciclo, baseado na valorização do ocultamento do código, através de leis de direito autroal e patentes.. “Há uma boa notícia, existe alternativa sob o regime patentário e do direito autoral, o softwares de código aberto e livre. Há uma má: um mercado naturalmente monopolizante ressistente, chamado de propriedade intelecutal forte. O conflito está na disputa das redes de relações e controle de comunicação e distribuição”.

Segundo o professor Rezende, as corporações também se utilizam das estratégias em rede para continuar sua escalada de apropriação sobre bens simbólicos, na medida que fusões e corporações e guerra de patentes cada vez menos com inovação tecnológica.

Marijane Lisboa, trouxe a discussão sobre natureza, e mais especificamente, “é preciso enviar uma nova ética num momento de tecnologia tão avançada, uma ética responsável”, que deveria embasar toda a política de segurança ambiental. Segundo ela, deveria-se evitar a menor possibilidade de risco danoso ou irreversível para questões genética e de saúde, como o caso da Talidomida ou os CFCs. O caso da trangenia é o extremo da não testagem e pesquisa rasa de segurança ambiental, pois o “princípio é que não houve nenhum problema (sic) até agora com os organismos modificados, o que é anti-científico e inverdadeiro segudno diversad pesquisas”.

A transversalidade entre transgênicos e software livre estaria então, nessa escalada da apropriação de setores antes inscritos nos círculos coletivos, para a a apropriação de grandes corporações. “São novos cercamentos sobre áreas do conhecimento e da vida, que avançam nas áreas da tecnologia e da biotecnologia.”

Mario Teza, por fim, enfatizou: “o que nos une é a liberade dos códigos, sejam eles programas, gens ou bits de comunicação.” Para além disso, liberdade está no lado libertinagem, pois “a pirataria, tanto nos software proprietário, quanto nos transgêncios, auxilia na manutenção dos monopólios e na depependências destes modelos fechados, visto o caso histórico dos trangênicos no RS e a Microsoft que já reconheceu publicamente que usou a pirataria como estratégia de domínios de mercado”.

E finalizou, “se não lutarmos por liberdade, chegaremos ao cúmulo do emblemático 1984 de George Orwell, com um grande irmão vigiando o que fazemos, o que falamos e o que comemos”.