O que é o “Além das Redes de Colaboração”?
Reunindo a qualidade artística e a reflexão crítica dos profissionais da Casa de Cinema de Porto Alegre à experiência da Associação Software Livre (ASL), entidade consorciada, responsável pela organização de um dos maiores encontros de cultura hacker do Brasil – o Fórum Internacional de Software Livre (FISL), propomos um exercício de “decodificação” das tendências culturais contemporâneas, em suas expressões artísticas, tecnocientíficas e político-ideológicas, buscando desvendar as intrincadas tramas e seus algoritmos moleculares e globais, hoje condutores da biopolítica e das macro-estruturas do poder.
Ao debater os padrões contemporâneos de emancipação, nosso projeto pretende discutir o atual aprisionamento das subjetividades, os riscos e exageros do controle do conhecimento e da informática de dominação; quer alertar que a ampliação do compartilhamento é simultaneamente combatida pela expansão da propriedade sobre a cultura, pela ideologia da neutralidade tecnológica.
A proposta é trabalhar a contradição entre as possibilidades de criação e disseminação culturais inerentes às redes informacionais e jamais construídas na história da humanidade e as tentativas de manter a inventividade e a interatividade sob o controle dos modelos de negócios construídos no capitalismo industrial. O projeto visa jogar luz sobre estas batalhas biopolíticas. Queremos decifrar as disputas sócio-técnicas em torno da definição de códigos, padrões, protocolos, aparentemente inocentes, neutros, simplesmente pragmáticos(racionais). Queremos desnudar as novas interfaces da dominação e apontar os novos cenários e personagens dos ideais de liberdade e democratização social.
Para cumprir tais objetivos propomos organizar um evento, composto de dois ciclos de debates presenciais, explorando os limites da cibercultura recombinante, desterritorializada e descentralizada, sendo transmitido em tempo real pela web com possibilidade de interação via chat (canal de conversação).
Os dois ciclos ocorrerão nos extremos geográficos do Brasil, demonstrando o poder desterritorializante e distribuído da cultura digital e das redes informacionais. O primeiro será no Rio Grande do Sul e o segundo será no Rio Grande do Norte. O Brasil dentro da rede é o país diverso, enredado, mais amplo do que os seus grandes centros. Para deixar isto efetivamente claro articularemos ativistas, pesquisadores e intelectuais de todo o país, militantes latino-americanos e esperamos ter mais de 20 mil acessos simultâneos na nossa webTV, considerando o público cativo que acompanha as transmissões do Fórum Internacional de Software Livre. Nossa estratégia é de mobilização múltipla nas diversas comunidades virtuais, de ativistas ciberculturais, sócio-políticos, tecno-artísticos e nos sites de relacionamento.
Publicaremos audiocast, trechos do evento para download na internet, um conjunto de textos dos participantes acompanhado das contribuições mais relevantes dos participantes. A qualidade técnica da comunidade do software livre será somada à qualidade artística da Casa de Cinema e à qualidade intelectual dos nossos convidados nas mesas.
26 Ago 2007 Admin 2 comments



